terça-feira, janeiro 16, 2018

OS ROMANCES DE CORDEL



UMA VIOLÊNCIA VERBAL DE PSEUDO ESCRITORES E ESCRITORAS...que vendem milhões de livros...

O SADO MASOQUISMO LITERÁRIO...

A Violência da pornografia VERBAL nos romances de cordel, ou o abuso da linguagem ordinária, do palavrão, que incita à sexualidade desabrida, gratuita, é gerada nesta confusão que são a perda de valores e de respeito  nomeadamente da mulher, e que se  torna num ataque à sanidade mental da pessoa humana são de uma violência enorme à integridade e liberdade de “escolha” baseada na sensibilidade da mulher; ela é ademais uma aviltação da mulher em forma de romance, na escrita destes “escritores” pop - homens e mulheres -, e que dezenas de mulheres cegas seguem fascinadas com a sua audácia, o seu vazio, a sua esterilidade, o seu ego, a sua obsessão fálica, a sua verborreia, a sua falta de ética e de estética, e sem a menor profundidade no que escrevem e que ataca de forma desabrida, indecente, sim, digo INDECENTE, DESONROSA, PARA TODAS AS MULHERES, as mães, as filhas, as irmãs e sobretudo as amantes…só é possível pela ignorância da própria mulher em se honrar, em se dignificar a si própria, em se dar valor, em se saber ao certo, em se realizar a partir de si …

A violência que nesta escrita "moderna" é feita à mulher e que ela aceita passivamente, deve-se à sua falta de consciência do feminino profundo, deve-se ao enorme vazio da sua vida, à sua falta de valor como ser humano, à falta de sentido que não encontra em si como pessoa, sobretudo como MULHER a não ser viver pelo homem, projectada no homem, projectada no filho e agora no sexo, no falo; e se assim não for ela acha que não vive, porque a mulher foi programada para obedecer e servir a deus, ao pai, ao marido e ao filho e agora vê-se inverter-se a sua situação de mulher legítima e séria… ou...de prostituta, e a ser “enaltecida” já não no altar, ou no bordel, mas exclusivamente na cama, como mulher-objecto: só pelo sexo, uma mulher degradada pela sexualidade mais abjecta para servir ao seu “deus falo”, baseado na sua anulação e na mais vil submissão, na mais completa sujeição “ao prazer” (sado-maso) anulando todo o seu ser na mera escravidão sexual aos padrões machistas e falocráticos, no marxismo consumista, que agora se destacam não só nos Mídea e Publicidade em geral como é o tema preferencial destes escritores pop-pornográficos, que são realmente uma chaga literária…
Esta geração rasca, realmente rasca, pensa que ter vergonha na cara, ter sensibilidade ou ser romântico, não é moderno nem comercial, e o que importa é Vender e comprar a todo o transe…e pensam que dizer todas estas barbaridades a qualquer preço e que dizem em nome da “mulher” do “amor” do “desejo” e até de “deus”…é o máximo…e é “arte”…ou literatura…de lixo!
Este é apenas LIXO tóxico ao cimo do Planeta, porque ele é mental e imoral e quase toda esta geração proveniente do Sistema mercantil e económico é a expressão máxima dos dias em que vivemos…
Prova-o a poluição verbal e a violência camuflada, o despotismo e a demência disfarçada de arte (de vómito) e literatura de cordel que enaltecem e que abunda por aí.

RLP

A REVOLTA DOS HOMENS...




DEPOIS DISTO TEMOS A REVOLTA DOS HOMENS...?

Denunciar o abuso e a violência doméstica, o feminicídio e agora o assédio sexual no trabalho e a nível não apenas das mulheres das classes mais desfavorecidas, empregadas e trabalhadoras e que andam de metro, tendo chegado ao escalão mais alto que é o mundo sofisticado do Cinema e dos Mídea que se focam nas mulheres mais "favorecidas" - pela fama, pelo dinheiro, pela beleza e pelo prestigio social - apenas...e que parecia manter-se intocável na sua ficção, a denuncia dessas mulheres do assédio e abuso por parte de homens poderosos da 7 Arte, está a causar um escândalo e a constituir uma ofensa para os homens...os homens em geral sentem-se muito ofendidos com esta suspeita gravíssima sobre a sua "impoluta persona" dominadora e falocrática... e recusam serem todos "porcos feios e maus"...
O facto é que durante seculos todas as mulheres foram suspeitas de serem potencialmente adulteras e sujeitas ao escrutínio masculino de serem "uma putas", todas, mesmo a mais recatada mãe ou esposa  esteve sujeita a violência verbal do marido e desrespeito por parte dos homens em geral e agora mal se fala em que todos os homens possam estar a ser sujeitos ao julgamento de abusadores e violadores, por assedio e abusos, por não só as dividiram em duas em duas espécies de mulheres, como  implicitamente as acusarem TODAS DE PUTAS,  todos se sentem agora muito ofendidos e se  indignam e revoltam...e até as mulheres suas devotas e servas os defendem ...mas o que é mais espantoso é que por elas mulheres serem abusadas condenadas e julgadas durantes séculos sem apelo nem agravo, nunca se revoltaram...?

Assim, depois do sucesso e união das mulheres do cinema americano em defesa da sua dignidade, vieram as mulheres artistas e intelectuais francesas defender o GLAMOUR  e a galanteria e o direito aos homens  de as IMPORTUNAR - ou seja:
aborrecer, enfadar, amofinar, atormentar, incomodar, inquietar, molestar, aporrinhar, assediar, azucrinar, chatear, infestar...
Sem duvida que esta é uma realidade secular, que durante décadas o flirt e a sedução estiveram muito perto assédio, que o poder dos homens e a sua arrogância masculina sempre os colocou numa atitude de direito e abuso...e o NÃO da mulher fazia parte do estimulo ou incentivo mesmo de conquista...Vamos ignorar isso??? E que só agora estará a ser posta em causa...porque a mulher adquiriu algum poder e visibilidade mas não podemos ignorar que porque o próprio feminismo ao pretender a igualdade de direitos a um nível muito básico fez mais depressa com que as mulheres se tornassem também apologistas de direitos iguais como andar de seios nus iguais aos homens de peito nu ou que defendessem uma liberdade sexual (ter amantes e aventuras sem consequência) e chamarem-se a si mesmas "vadias" e despirem-se em publico como forma de afirmação desses direitos iguais - afinal serem tão permissiva como os homens... e não terem logo percebido onde isto as faria chegar e é esta escalada de abusos e violação como reacção instintiva predatória que que elas pretendem branquear e dissimular sem perceber que são elas - que sem consciência alguma da sua verdadeira essência como mulheres -, desencadearam de algum modo esta ofensiva-assédio e abuso do macho predador que é apenas um macho - um animal que reage por instintos básicos também - ...e não querem ver que são elas muitas vezes que o suscitam com uma exposição e provocações desnecessárias do sexo e do corpo. Não, as mulheres não tem de ser putas nem freiras, não tem de ser sérias nem depravadas...não tem de ser honestas e fiéis...elas tem de ser apenas MULHERES COM DIGNIDADE.
Dizer tudo isto, por o dedo na ferida, no erro, será uma afronta para as feministas em geral, mas eu não vejo nenhuma liberdade nem dignidade nessa exposição das mulheres ditas emancipadas, tal como as FEMEN radicais e violentas que provocam o Status Quo exibindo-se nuas diante de lugares e pessoas que encarnam o Sistema... e que apenas geram um maior desrespeito e dessacralização do corpo da Mulher Mãe e Amante. 
De um lado portanto temos as feministas marxistas, sem qualquer dimensão do sagrado (sagrado não tem nada a ver com religião) e do transcendente (que nada tem a ver com "deus") e por outro temos as mulheres francesas, intelectuais e mentais, conservadoras, agora contra as americanas;  as clássicas senhoras da cultura francesa a defender a sua velha arte e cultura e os homens como suas aliadas...a  defender uma tradição e uma cultura que não passa de um Mito como nos diz a historiadora Michelle Perrot :


"A galanteria francesa é um mito de certo interessante mas também uma forma particular de dominação dos homens sobre as mulheres."



Tudo isto significa a profunda ignorância das mulheres de que vivem num Sistema Patriarcal e falocrático que sempre as tratou e considerou inferiores e objectos sexuais... e que a suposta emancipação das mulheres nada mudou e que esta ideia e mentalidade é própria do sistema em si, sendo a inferioridade e o uso-abuso da mulher uma ideia que prevalece na mente colectiva dos homens e erradicar essa ideia implicaria uma mudança total e completa de Paradigma...
rlp


segunda-feira, janeiro 15, 2018

AS IDEIAS MA(R)XISTAS...e feministas...

VERDADES QUE NÃO SÃO TOMADAS EM CONTA...

O marxismo carece de metafísica e de psicologia - e o feminismo também...

"A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.
O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas.
Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político."


Camile Paglia

“a liberdade de importunar”?




"Catherine Deneuve é um ícone de beleza do século XX, lugar comum que não serei eu a contestar. Seja como princesinha (en)cantada, mulher de dupla vida ou musa fria, enigmática, fogo que arde sem se ver — dependendo do homem que a filmou/fotografou, e foram tantos e tão diferentes —, ela cristalizará como poucas esse objecto de desejo tão conveniente, tão aparentemente subversivo mas afinal conservador, tão útil na manutenção do status quo, que é a senhora-na-sala-puta-na-cama. Aquela mulher toda-imagem mas que se adivinha carnal, sem demasiada autonomia nem demasiada revelação, a que faz sonhar, excita, conforta, perpetua esse desejo. A que de certa forma existe em função do homem heterossexual, da imagem que ele tem de si enquanto conquistador. Ou seja, a que vive para ser eternamente desejada.

Talvez pouco disto corresponda ao que Deneuve é fora das câmaras, nem seria humano, nem é isso que está em causa. Falo de como as suas imagens públicas formam uma ideia de mulher, apurada pelo que escolheu mostrar e dizer, ou não mostrar e não dizer. Uma construção com décadas em que se enquadrou e foi deixando enquadrar.
E, de certa forma, o actual manifesto — que Deneuve não redigiu mas de que aceitou ser a cabeça-de-cartaz — é uma espécie de corolário de tudo isto. Deneuve é a prisioneira de uma moldura. Para sempre bela, e, até hoje, prisioneira. O que ela faz no manifesto é, ainda por uma vez, mais uma vez, servir o clichê da sedução masculina. Apaziguá-lo, dar-lhe alento neste tempo em que tudo o acossa. Dizer, com todo o seu lastro de musa-objecto: queridos homens, nós, que não vos odiamos, que gostamos de sexo, estamos convosco, pela liberdade."

Alexandra Lucas Coelho


Com o título "Defendemos a Liberdade de Importunar" 

Indispensável à Liberdade Sexual, a carta aberta agora criticada foi assinada por cerca de 100 mulheres, entre escritoras, artistas e académicas. No seguimento do escândalo de assédio sexual de Hollywood – que despoletou a denúncia de inúmeros casos, como o de Kevin Spacey –, estas defendem que "aquilo que começou como algo que dá liberdade às mulheres para falar alto se tornou o oposto" e que agora "intimidamos pessoas a falar correctamente" e "gritamos com aqueles que não se metem na linha". Falavam inclusivamente de uma "caça às bruxas".

Deneuve e 100 escritoras, artistas e académicas defendem que os homens devem ter “a liberdade de importunar”
Outras personalidades, como a actriz Asia Argento – que acusou Harvey Weinstein de a ter assediado sexualmente, na década de 1990 – expressaram também a sua opinião relativamente à carta aberta. Catherine Deneuve e outras mulheres francesas contam ao mundo como a sua misoginia interiorizada as lobotomizou de forma irreversível", escreve no Twitter. A ex-ministra francesa da Igualdade, Laurence Rossignol, usou a mesma plataforma para condenar a carta, falando da

"estranha angústia de já não existir sem o olhar e o desejo dos homens que leva as mulheres inteligentes a escrever grandes disparates".

A seguir a essa carta das 100 artistas e escritoras vem a respostas das feministas francesas...a contrapor...

Resposta a Catherine Deneuve: "Os porcos e os seus aliados estão inquietos?"
Assinado por 30 activistas, a primeira subscritora é a feminista Caroline De Haas. O texto critica fortemente os argumentos defendidos por Deneuve e tantas outras personalidades. "Esta carta é um pouco como o colega constrangedor ou o tio irritante que não percebe o que se está a passar", defendem as activistas francesas. "Assim que a igualdade avança um milímetro sequer, almas bondosas alertam-nos imediatamente para o facto de que arriscamos cair em excesso", aponta ainda num tom sarcástico, alertando que todos os dias em França acontecem "centenas" de casos de assédio sexual e violação.
Em relação à questão do flirt, respondem: "As signatárias da carta confundem deliberadamente a relação de sedução, com base no respeito e prazer, com a violência"


A POESIA



SEM A MULHER MUSA NÃO HÁ POETAS...


"Assim que as formas poéticas começam a ser utilizadas por homossexuais e que o “amor platónico” (o idealismo homossexual) se introduz nos costumes, a deusa vinga-se. Sócrates, se bem nos lembramos, teria banido os poetas da sua lúgubre república. A alternativa consistindo a passar sem o amor da mulher é o ascetismo monástico; os resultados que daí advieram foram mais trágicos do que cómicos. No entanto a mulher não é poeta: ela é a Musa ou nada. Isto não quer dizer que uma mulher deveria abster-se de escrever poemas, e sim apenas que ela deveria escrever como mulher, e não como se fosse um homem.
O poeta era originalmente o Místico ou o Fiel em êxtase da Musa, as mulheres que participavam nos seus rituais eram suas representantes. (...) " - Roberte Graves


...este excerto revela-nos o absurdo que do homem que escreve poesia sem a musa e sem a inspiração de uma mulher deusa, de uma mulher amada e também nos diz como é absurdo a mulher escrever para o homem, erotizando o homem fazendo dele seu "muso", coisa que nunca existiu na história. É um facto que é a mulher que é a inspiradora do poeta, como mãe, dadora da vida,  como amante ou deusa-mulher, é ela que é o objectivo da Obra alquimica e da Busca do Graal - ela mesma é o Cálice ou o Graal, a Dama ou a Rainha. Da mesma maneira se for a mulher a escrever poesia ela deve-se cantar a si como mulher...e não eleger o homem...isto pode parecer bizarro, numa visão meramente sexualizada do amor...e como é próprio de um tempo desnaturado  estamos sempre a pensar mais na sexualidade em si do que na Natureza instintiva das coisas, nas energias e nos princípios que nos movem - ora é o corpo da mulher que é erótico e deve atrair-seduzir o homem e não o homem a mulher. É verdade que ao perder-se a Mulher mítica com o tempos e a aculturação da mulher e a perda da sua identidade primeira,  tornou-se vulgar a ideia do homem possuir a mulher ou conquistar a mulher e não ser ele seduzido pela Mulher o que corresponde a  uma inversão grosseira que é fruto da nossa época na sequência do culto do amor apolíneo grego ou romano, o culto da homossexualidade e pelo desprezo a que as mulheres foram votadas.
Assim, como diz R. graves, "a mulher não é poeta: ela é a Musa ou nada. Isto não quer dizer que uma mulher deveria abster-se de escrever poemas, e sim apenas que ela deveria escrever como mulher, e não como se fosse um homem."
E assim a mulher não só não deve escrever como se fosse um homem como não deve cantar o homem como muso, mas sim reflectir-se numa sua emanência ...é o canto do seu corpo e do seu magnetismo que faz a diferença...mas o facto de a mulher se ter inibido da sua sensualidade própria e da sua força magnética ela procura erotizar o amor através do corpo do homem em vez de se cantar a ela mesma uma vez que por si mesma ela não se valoriza... rlp

"Como é que a devíamos então adorar?
(…)
A prática da verdadeira poesia reclama um espírito miraculosamente desperto e capaz de, por iluminação, juntar as palavras, através de uma cadeia mais-que-coincidência, numa entidade viva, um poema que vai viver por si mesmo, talvez por séculos depois da morte do seu autor, cativando os seus leitores pela carga de magia que ele contem. Porque em poesia a fonte do poder criativo não é a inteligência científica mas a inspiração (mesmo que esta possa ser explicada pelos cientistas) não é através da Musa lunar, o termo mais antigo e o mais adequado para designar esta fonte de inspiração na Europa, à qual a devamos atribuir? Pela tradição a mais venerável, a Deusa Branca tornou-se uma com a sua representante humana, sacerdotisa, profetisa, ou rainha–mãe. Nenhum poeta que elege a Musa pode experimentar conscientemente a existência sem ser pelas suas experiências do feminino porque é na mulher que reside a deusa seja em que grau for; exactamente como nenhum poeta apolinio não pode exercer a sua função própria se ele não se submeter a uma monarquia ou a uma quase monarquia. Um poeta que elege a musa abandona-se absolutamente ao amor e o seu amor na vida real é para ele a encarnação da Musa. " *
(…)



*(pag.569 -Traduzido do francês por rlp)
ROBERT GRAVES
LES MYTES CELTES - LA DÉESSE BLANCHE
IN Ed. du Rocher

sábado, janeiro 13, 2018

as duas serpentes...




"Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra.
Um dia encontraram-se num caminho muito estreito e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente. Quando cada uma devorou a outra não ficou nada. Esta história tradicional demonstra que se deve amar o próximo ou então ter muito cuidado com o que se come."

ANA HATHERLY

A GRANDE CONFUSÃO


HOJE MAIS DO QUE NUNCA Há muita confusão em torno de quem pertence a qual categoria sexual
(...)


“Na realidade actual, diante da desintegração dos antigos costumes, inúmeras pessoas se encontram num estado menos de fusão do que de confusão. Com o colapso dos modelos sexuais tradicionais, as pessoas ficaram livres para experiências; diversas vezes, porém, acabam se vendo em grandes dificuldades e buscam ajuda para sair do emaranhado labirinto do sexo e da alma. Muitas das que pretendem estar confortavelmente instaladas nos papéis heterossexuais convencionais, na realidade não estão. Há muita confusão em torno de quem pertence a qual categoria sexual.

Uma das questões mais cruciais que qualquer nova teoria da sexualidade deve enfrentar são os rótulos geralmente aplicados à sexualidade – a heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade – e o significado relativo destes termos.

Apresento isso como uma única questão; e não como três questões distintas, porque na minha prática analítica é assim que ela, via de regra, aparece ainda que embrenhada em complicações. A maioria das pessoas está convencida de que “pertence” a uma destas três categorias, de que são de natureza hetero homo ou bissexual, e de que têm de aceitar o que são. Ou caso não consigam se aceitar como membros de uma categoria fixa, atribuem-se a tarefa de se modificarem para que possam se enquadrar numa delas.”*1
(...)


CADA UM E O SEU CONTRÁRIO

"Quanto a mim, a questão do transgénero, atualmente na moda, que leva a que uma mulher escolha ser homem ou um homem mulher (por achar que está no corpo errado) é ainda uma manifestação de uma conceção binária da sexualidade: ter de escolher ser macho ou fêmea. Na novela do Jorge Sena, "O Físico Prodigioso", há algo mais complexo que a bissexualidade ou a transgenericidade: há coexistência, por vezes simultânea, em cada um de nós, de vários géneros, várias sexualidades." *

"Cada um com o seu contrário. Cada um de nós não é uma identidade estanque, imutável, mas somos um vórtice de contrários a viver neste corpo único que temos, quer seja um corpo masculino ou feminino. E ao contrário de muita literatura sobre as questões sexuais, nomeadamente a homossexualidade ou a bissexualidade, no "Físico Prodigioso" a ambiguidade sexual é vivida não com nostalgia de uma perfeição perdida, mas como prazer.

A fragmentação da identidade não é aqui geradora de nostalgia ou de derrocada da psique, mas como gozo e como caminho para uma identidade mais total.

O Físico Prodigioso tem uma carga metafísica que se torna ainda mais densa no seu final filosófico, uma alegoria sobre a incompletude do ser humano só resolvida pela Natureza nos seus ciclos de renascimento e morte.

Transexualidade ou o eterno retorno, este "Físico Prodigioso", mais do que uma novela erótica, é o retrato de uma humanidade prometeica e faustica, disposta a tudo para superar a natureza mas sem nunca o conseguir totalmente.

Em última instância, é também um texto sobre a Liberdade (não como coisa política) mas como caos, desordem, magias fundamentais ao ato de criação e ao ato de leitura."*2


2* Melo e Castro

1*in “ANDROGINIA – RUMO A UMA NOVA TEORIA DA SEXUALIDADE”
de June Singer (Cultrix)

UM POUCO DE HISTÓRIA...



"Eva é a mulher muda, a sombra da mulher, quase um fantasma.
(...)
Eva está incompleta, falta-lhe alguma coisa: trata-se do aspecto Lilith que ela por vezes toma quando se revolta"

“Fosse a maça oferecida por Lilith-Serpente e aceite por Eva ou a caixa inquieta de Pandora (as mitologias patriarcais sempre responsabilizaram a mulher pelo desastre universal), o certo é, que é nestes mitos que nasce a dualidade e a condição humana, com a sua insatisfação permanente, a sua busca obsessiva da perfeição impossível, das origens e do Absoluto.

"Lilith foi recalcada para dar lugar a Eva. Eva representa portanto a mulher vista, educada, modelada pelo homem. Eva está incompleta, falta-lhe alguma coisa: trata-se do aspecto Lilith que ela por vezes toma quando se revolta; o aspecto que Eva tomou, quando comeu a maçã; o aspecto que tomará a Virgem Maria ao dar à luz um filho que se revoltará contra o pai e imporá uma nova lei, o Evangelho (a boa nova) do Filho (e da Mãe). Assim se processa a passagem do Judaísmo (Paternalismo) ao Cristianismo primitivo (Maternalista), que será imediatamente recuperado pelas autoridades Patriarcais e desviado dos seus verdadeiros objectivos.

Com efeito, Eva, a mulher, encontra-se alienada. Ela não possui por inteiro a sua personalidade. Ela não será mais que a forma castrada (de Jeová e de Adão) e não a imagem da parte feminina de Deus. Deste modo, a representação duma forma do desejo, duma metade da ex-potência divina absoluta é afastada, e torna-se tão silenciosa como a vagina duma rapariguinha. Eva é a mulher muda, a sombra da mulher, quase um fantasma. A mulher real é Lilith. E no mito celta, Blodeuwedd, nascida das flores – é este o sentido do seu nome –, não é senão uma sombra de mulher: é uma criação artificial do espírito macho de Gwyddyon, não passa dum reflexo castrado do homem.

Mas quando se revolta, ela abandona o seu aspecto Eva para assumir o de Lilith e deixa de estar alienada. Nascida das flores e ligada à terra no passado, torna-se agora ave nocturna, podendo assim aparecer a qualquer homem durante a noite, ou seja, enquanto o sono permite ao inconsciente que ela surja nos seus sonhos.

Na verdade, qualquer homem, insatisfeito no fundo de si próprio, e sem ousar admiti-lo, sonha com Lilith-Blodeuwedd, a única que poderia satisfazer o seu desejo de infinito, uma vez que a Eva que ele tem ao seu lado não é mais do que uma caricatura da feminilidade, embora tenha sido ele quem assim a quis."*


*La Femme Celte, Jean Markal



quinta-feira, janeiro 11, 2018

ME TOO




MULHERES - 100 CONTRA MIL...

Em geral as mulheres acham que não devem elogiar nem gostar das outras mulheres. Isto está tão entranhado que raramente elas conseguem juntar-se. AS mulheres no mundo ocidental  estão de forma mais ou menos agressiva, sempre umas contra as outras. Vê-se neste momento diante do Movimento do ME TOO - mulheres poderosas do cinema de Hollywood - e as mulheres poderosas do Cinema e da Cultura francesas...de forma contundente elas defendem o assédio como "liberdade sexual" - a sedução  masculina - mas não a violação e claro não possível comparação destas mulheres de alta classe social e milionárias com as milhares de mulheres empregadas e subalternas que andam de Metro em todo o mundo...

Nesse sentido os argumentos destas 100 mulheres, intelectuais e artistas francesas, contra as 1000 americanas, tem algum sentido, mas os argumentos usados foram infelizes da parte de algumas - como uma delas dizer que tinha pena de não ter sido violada etc. para provar que se podia viver com isso.

Mas a minha nota vem no sentido de constatar mais uma vez e de forma actualissima e mediática como é sempre o mesmo e velho antagonismo entre as mulheres, graças a deus...parece, dizem umas, que as feministas se viram contra os homens, que não gostam deles - os agressores -...e as outras, as liberais, ah as francesas ...defendem que a liberdade sexual passa pelo galanteio...mas como dizem as feministas, estas não trabalham nas fabricas...não andam de metro, nem na rua, salvo seja...etc. elas andam nas passadeiras vermelhas em busca de Óscares e ídolos onde os homens  não são galantes ou são carroceiros...mas em França...ele há cavalheiros galantes, homens sedutores e educados e ele há...por todo o lado porcos e carniceiros...reles humanoides, predadores infectos em todo o lado...
Enfim é a mesma luta de sempre das mulheres, a mesma luta umas contra as outras em defesa dos homens - dos seus machos man,  mentores e mestres...

O que estas senhoras francesas reclamam no fundo tem alguma razão de ser para as que gostam de ser seduzidas à moda antiga, a maneira das cortesãs...e vem de uma cultura bastante sado-maso....América e França? Histórias, Culturas e naturezas distintas...?
As francesas gostam do velho assedio-sedução ou do galanteio - a saber quais são os limites... ?
As americanas lutam pela  igualdade sem pensar no charme francês...?
A verdade é que umas dizem-se feministas e defendem as mulheres e as outras acabam por ser machistas e gritam em defesa dos homens e cá estão as mulheres divididas dentro de si e fora a favor ou contra os homens. E depois todas se dividem a defender ou a atacar as 110 ou as mil...

O que gera esta confusão e luta...é a falta de Consciência de si das mulheres em geral no mundo. Isto  prova-nos que o caminho da Mulher Consciente NÃO É POR AI...e como dizia algures é que tanto faz andarem na  passadeira vermelha  como se vestirem de preto ou de vermelho...elas estão sempre em oposição umas às outras e sem duvida sabemos bem que nem umas nem outras tem a razão toda, o facto é que não sabem que elas  estão divididas dentro de si logo a partida ...
A velha história: umas de vermelho e as outras de preto; as brancas senhoras e as pretas servas, as boas e as más, as senhoras ricas e as criadas (ah já não há, só mestiças?) mais as santas e putas as feministas e as putas sérias e as sexys donas de casa?...e é em suma  esta a esquizofrenia completa, uma confusão total, e portanto o melhor foco da Mulher que se preza é em si mesma...ser uma Mulher integrada - mas sabem as mulheres o que é isso?
Não...nem sonham como conciliar as duas faces de si mesmas e por isso se dividem e não vão a nenhum lado...umas de preto e as outras de vermelho...
A mais velha rivalidade do mundo...


rlp


A CARTA DAS 100 MULHERES FRANCESAS


Com o título Defendemos a Liberdade de Importunar, Indispensável à Liberdade Sexual, a carta aberta agora criticada foi assinada por cerca de 100 mulheres, entre escritoras, artistas e académicas. No seguimento do escândalo de assédio sexual de Hollywood – que despoletou a denúncia de inúmeros casos, como o de Kevin Spacey –, estas defendem que "aquilo que começou como algo que dá liberdade às mulheres para falar alto se tornou o oposto" e que agora "intimidamos pessoas a falar correctamente" e "gritamos com aqueles que não se metem na linha". Falavam inclusivamente de uma "caça às bruxas".     



Outras personalidades, como a actriz Asia Argento – que acusou Harvey Weinstein de a ter assediado sexualmente, na década de 1990 – expressaram também a sua opinião relativamente à carta aberta. "Catherine Deneuve e outras mulheres francesas contam ao mundo como a sua misoginia interiorizada as lobotomizou de forma irreversível", escreve no Twitter. A ex-ministra francesa da Igualdade, Laurence Rossignol, usou a mesma plataforma para condenar a carta, falando da "estranha angústia de já não existir sem o olhar e o desejo dos homens que leva as mulheres inteligentes a escrever grandes disparates".

quarta-feira, janeiro 10, 2018

UM MUNDO DE MULHERES...




No séc. XVII, desencadeou-se, como se sabe, uma campanha de extermínio contra estas mulheres, que passaram à história convertidas em bruxas. A natureza sexual dos jogos e círculos femininos foi também estudada a partir das letras das suas canções que chegaram até nós (1). O hábito quotidiano das mulheres se juntarem “para bailar”, e para se banharem, é ancestral e universal, e dá-nos um vislumbre do espaço coletivo de mulheres impregnado de cumplicidade e baseado na intimidade natural entre mulheres, que hoje apenas prevalece em recônditos lugares do mundo. Em África, existem aldeias onde as mulheres ainda se reúnem à noite para dançar (bailes claramente sexuais, como se pode ver numa reportagem do Sudão (2). A imagem das mulheres do quadro “o Jardim das Hespérides”, de FredericK Leighton (séc. XIX) é outro vestígio dessa relação de cumplicidade e de intimidade entre mulheres.

Os hábitos sexuais das mulheres remetem-nos para a sexualidade não falocêntrica das mulheres; para a diversidade da sexualidade feminina, e a sua continuidade entre cada ciclo, entre uma etapa e outra. Uma sexualidade diversa e que se diversifica ao longo da vida, cujo cultivo e cultura perdemos. (…) Vivemos num ambiente em que o sistema libidinal humano, desenhado filogeneticamente para travar relações humanas, está congelado. Hoje as mães vivem longe das suas filhas e as avós vão de visita a casa d@s net@s; a pessoa de família que nos dá a mão quando adoecemos vive no outro extremo da cidade, e mal conhecemos o vizinho ou a vizinha" (…)
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Cacilda Rodrigañez Bustos