"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, dezembro 12, 2017

QUANDO UMA MULHER DIZ BASTA!



“Quando uma mulher toma a decisão de abandonar o sofrimento, a mentira e a submissão. Quando uma mulher diz do fundo do seu coração. `Basta, até aqui cheguei´. Nem mil exércitos de ego e nem todas as armadilhas da esperança poderão detê-la na procura da sua própria verdade.
Aí se abrem as portas da sua própria Alma e começa o processo de cura. O processo que pouco a pouco lhe trará de volta a si mesma, a sua verdadeira vida. E ninguém disse que esse caminho será fácil, mas é “O Caminho”. Essa decisão em si abre uma linha direta com a sua natureza selvagem, e é ai que começa o verdadeiro milagre”.


Clarissa Pinkola-Estés

QUE MULHER SOMOS



ACABEI DE ENCONTRAR ESTE TEXTO (PARCIALMENTE) PUBLICADO POR UMA AMIGA...e achei oportuno publicar de novo hoje aqui entre nós...

...A mulher que hoje conhecemos é uma mulher doente...que sofre todo o tipo de doenças porque não se conhece nem sabe qual a sua verdadeira identidade...ela não se revê senão como  mãe ou como  filha, como amante ou como esposa, mas nunca como indivíduo em si, uma mulher que só por si tem valor. Não. Ela só vive em função de outros. Não sabe nem consegue viver por si mesma...

A mulher que não consciencializa e não repara - cura -  a sua grande ferida interior como mulher e tudo o que sofre do que  lhe é infligido nesta sociedade falocrática que a aprisionou em conceitos redutores sobre si mesma e a impediu de aceder à sua natureza intrínseca, ela  nunca poderá reunir as partes de si que a  religião separou em muitos estereótipos, mas basicamente como digo sempre entre a "santa e a puta". Ela pode até bem relacionar-se com todas essas facetas ou com as faces da deusa na mulher e buscar qual a deusa que lhe corresponde, a deusa Afrodite, sobretudo, que buscam aqui e ali, ou as deusas dos muitos altares e mundos, a deusa de todos os tempos, a Grande Mãe, cuja representação sofreu grande alteração e deformação da deidade feminina e do seu princípio, assim como todas as deusas ou a única deusa em muitos lugares transformadas em santas pelo catolicismo e que na nossa época acabam por corresponder apenas à fragmentação da mulher e da deusa que  vem desde há seculos e foi  feita ao longo de centenas ou milhares de anos após a dominação patriarcal...
Assim também  me parece um erro pensar que ao nos tornamos sacerdotisas da deusa e do amor através de rituais e práticas esporádicas, encontros de mulheres, usando magias e feitiços, baseando-nos nesses fragmentos que restam da Grande Deusa e de ideias absurdas adoptadas aqui e ali de outras práticas antigas, sem se ser uma mulher consciente dessa divisão e inteira primeiro, sem se SER a Mulher integral, a mulher consciente do seu ser global, de muito pouco serve todas essas praticas por mais bem intencionadas que sejam...
Para mim isso é continuar a enganarmo-nos e a sermos apenas pedaços de nós mesmas, como é sermos muito brilhantes talvez aqui ou ali...fantásticas na cama, ou no palco, boas mães ou excelentes amantes e claro podemos ser especialistas em medicina e engenheiras e de grande capacidade no trabalho, sermos deputadas  e ministras, como podemos continuar a ser boas cozinheiras ou boas dançarinas professoras ou enfermeiras...Mas sempre fragmentadas. Sempre umas contra as outras...em competição ou em adulação...
Sim fala-se tanto e escreve-se hoje sobre as Deusas ...mas nenhuma mulher será Deusa sem SER essa Mulher por inteiro primeiro.

Meu Deus...será que  estamos a procura de uma Deusa em substituição de um Deus...?

Não creio que possamos estar a colocar as qualidades de deus na deusa ...e a trocar uma coisa pela outra...à procura de uma religião ou de uma fé, um Dogma. Nem creio no sentido católico, de a mulher se integrar na Igreja que a condenou ao pecado; não adianta estarmos a querer ser deusas à sua imagem e semelhança como uma "deusa" no céu...ou num altar ... e rezar-lhe a pedir favores humanos...

Outra coisa que eu vejo é como agora as mulheres que dizem seguir a deusa é se que desviam delas mesmas, da sua realidade concreta, a nível emocional e psicológico e social assim como de uma consciência ontológica, aprofundada, como fogem do seu conhecimento interior intuitivo, não querendo ir ao fundo de si mesmas fazer esse trabalho psiquico de si para si, para em suma descortinar o fundo dos seus complexos e medos, fobias e rejeições, para aderir exteriormente a qualquer culto folclórico ou sexual aos ritos e aos transes...dizem, da deusa...

Para mim isso não é a DEUSA...são meros rituais...por mais sinceros que sejam!

O que eu creio na verdade ser importante e urgente para a mulher de hoje - para todas as mulheres - era activar essa outra parte de si oculta e que é interior e transcendente e que lhe dará a plenitude como mulher e lhes pode dar essa Chave do Ser Mulher total, unindo as duas mulheres que o patriarcado separou...ESSA parte de nós que foi esquecida e que pode de novo unir a Terra e ao Céu...para que assim seja na Terra como no Céu...

Rosa Leonor Pedro

O texto foi corrigido por mim e actualizado...

RESPOSTA A UMA AMIGA:



"As mulheres contra mulheres"? 

E porque é que eu acho que estás a acusar aquilo que denuncias todo o tempo e de que aparentemente também tu mesmo padeces? Sim Rosa existe e pode ser! Mas como tu dizes e muito bem no que refere a outros aspectos, consequência do machismo, etc. das mulheres pensarem e reproduzirem o que está socialmente transmitido. etc. Querida, neste aspecto, contradizes-te completamente (no meu entender) e eu cá, que não tenho pretensões a mudar as mentalidades, sendo que gostaria muito de ter a tua coragem para o tentar fazer, fico mesmo chocada! Muito! Por exemplo com este post. E arrepio-me assim tanto, tanto mesmo, como com todas as brejeirices que ouvi e li ao longo da minha vida, com qualquer coisa e aquelas mais subtis, que denigrem as mulheres.

Talvez Rosa essa história de que as mulheres são as maiores opositoras das mulheres esteja certa, talvez. Mas eu, "terrivelmente ingénua", (será?) não acredito! Rosa é mais outra história que nos contaram, como essas todas que denuncias."
- Em primeiro lugar agradeço-te imenso a tua missiva e as tuas palavras e me transmitires a tua opinião e parecer...aceito e entendo o que dizes...mas não é fácil falar e escrever sobre as mulheres...sabes que tenho um Blog sobre a temática de Mulheres & Deusas e que ninguém mais do que eu, posso garantir-te ama mais a mulher e se expos ao longo da sua vida em sua defesa mas não de qualquer maneira...Não defendo as mulheres só porque são mulheres, mas apenas e sobretudo sobre o que seja a verdadeira mulher  e a ESSÊNCIA dessa MULHER.

Desse Blg nasceu um livro do mesmo nome...onde tudo o que eu penso e repenso está lá e tem ajudado muitas mulheres no processo de consciencialização do que é a Mulher em si - depois de durante séculos o feminino ter sido completamente deturpado ao ponto de chegarmos a esta aberração de dizer que a mulher não nasce mulher e se faz (pela cultura e a sociedade o que é só em parte verdade, mas não no aspecto biológico, e nesse sentido todo  é escamoteado) assim como o homem.

Na base do que digo há anos e anos de aprofundamento da questão e acredita que já dei todas as voltas possíveis ao texto e quando falo da mulher "inimiga da mulher" esse é o facto mais gritante e também branqueado pelas ideólogas marxistas ou feministas quando na verdade e na prática é o que acontece. E na base dessa inimizade está a chave que pode esclarecer o porquê dessa inimizade e antagonismo grosso modo e na grande, grande maioria de mulheres.

Há décadas que trabalho com mulheres...exclusivamente. Sei o que as divide - falo dessa cisão dentro delas...a da santa e da puta (a Virgem santa e serva do senhor (o deus homem) e a Madalena arrependida, a pecadora a prostituta e a devassa - ainda agora ouvi sem querer uma missa na radio...era tal e qual, a virgem serva do senhor oremos à mãe imaculada...e sei como esses arquétipos digamos se alternam e altercam entre si...o olhar da mulher para a "outra" é sempre condenatório, da mãe e da sogra para a nora e a ameaça de roubar são casar com o filho ou essa "outra" que ameaça roubar-lhe o namorado ou o  marido ...etc. Esses arquétipos são a fundação da moral e da família e do casamento e estão em vigor desde sempre no Patriarcado - lembra-te do juiz que recentemente condenou a mulher vitima de violência doméstica como adultera...

Ora encarar estas duas mulheres...e vê-las em separado, como distintas irremediavelmente seria fatal e foi fatal é precisamente dai que eu quero que elas saiam...acredito que a consciência dos factos da história e da psique pode ajudar as mulheres a sair desse impasse e divisão. Não falo mal das mulheres gratuitamente nem me cinjo a casos concretos mas à generalidade dos factos  que minam a sociedade e vida de cada mulher...enfim, tenho muitas mulheres conscientes deste processo em consequência do que escrevo e da minha luta por um SER MULHER INTEIRA... e é nesse sentido que continuo a lutar mesmo sabendo que a única coisa que me interessa a nível espiritual digamos é a MINHA CONSCIÊNCIA DO SER, como ser humano, mas aqui é a minha causa, a causa que defendo,   e só persisto nela porque tenho o exemplo de muitas mulheres que me agradecem e se sentiram salvas - imagina e isto é forte - dos condicionalismos vários a que estavam presas sem saber o porquê... o resultado é menos doenças, menos sofrimento...mais paz...enfim, pode parecer-te pretensão minha, mas sempre fui muito lucida...
Não ganho nada com isto...porque o armar-me em arauto de uma verdade, não me serve de nada, digo ao meu ego, já que ele não tem grande papel na minha vida...talvez o ressentir-me ainda da ingratidão ou da falta de educação seja um reflexo dele...mas essencialmente estou focada no  meu ser  (dentro de mim) e a minha alma está em paz com isso - nem sequer tenho a ilusão de que estou a salvar ninguém - não, não me coloco no papel da vitima nem do algoz e menos ainda do de salvador...sou apenas uma mulher talvez com um objectivo único: ajudar as mulheres a verem a causa do que as divide e do seu sofrimento singular .
Se me lesses a fundo e não apenas no facebook talvez pudesses compreender o que eu queria dizer quando falo das duas faces da mulher e como elas se manifestam e o que as impede de serem solidárias e fraternas umas com as outras - o que não quer dizer que muitas vezes não o sejam mas mais idealmente ou teoricamente do que na prática - tudo o que se diz e propaga por ai é como os Prós e Contras...não aprofunda - a dualidade está em tudo e muitas vezes pareço paradoxal, mas esta é a linguagem humana e não se consegue falar do uno em palavras... e a coisa mais difícil para a mulher é perceber que ela é as duas ao mesmo tempo e que devia integrá-las sem se dividir nesses estereótipos...Cada mulher contem em si o espectro da outra...seja a puta a santa, seja a santa a puta...porque essa divisão aconteceu porque o cristianismo dividiu a mulher em duas espécies de mulheres...Começou há uns séculos e a sua pregação e catecismo contra as mulheres continua...etc.
Quanto ao meu poste a que te referes  e ao que aconteceu com a mulher que me "agrediu" na conferência há dias tinha a ver com todo o seu contencioso  interior das duas mulheres e porque não admite essa divisão em si...etc.
Olha, agradeço o teu cuidado.
Sabes, para finalizar, tenho 71 anos...já sou mesmo velha....e desde sempre andei as voltas deste assunto. O Conhecimento Superior não mental  (uma iniciação?) e durante muitos anos a prática da Meditação  deu-me as bases que me permite ter a Consciência da Consciência e por saber que tudo é relativo e este mundo uma ilusão, sei o lugar das coisas, mas enquanto aqui estamos, fazemos o que podemos tentamos decifrar o porquê das nossas manias...obsessões ou sonhos...O meu sonho é este...
Unir as mulheres...
 ...
rleonor pedro


segunda-feira, dezembro 11, 2017

POSITIVO E NEGATIVO




 Há dias  fui agredida violentamente ao nível verbal e das energias...por uma jovem mulher desconhecida, a quem algumas palavras proferidas por mim (sobre a cisão da mulher?) - vá-se lá saber o porquê de tanto ódio acumulado - quando numa palestra a que assisti e no fim expus a minha ideia da causa do conflito e do antagonismo entre as mulheres, essa mulher deu um grito estridente e de agressão a minha pessoa - fui atingida como por um dardo de ódio como nunca senti na minha vida.... Fiquei tão perplexa como abismada de tanto ódio e por ter ali a  prova provada, de repente, inesperadamente, de como a mulher se submete tão facilmente ao homem (o orador) e ao mestre ou ao amante e recusa visceralmente a palavra ou o saber de outra mulher neste caso, de uma mulher de idade - sem sombra de respeito pela idade e a experiência vivida...
Um belo e perfeito exemplo de como as mulheres são na verdade ainda  inimigas umas das outras...
Depois disto e nestes dias, após sofrer essa  violenta agressão "psíquica" e energética (que energias densas se moviam ali) de outra mulher em publico, revi o confronto e a agressividade de algumas mulheres comigo no facebook, assim como me lembrei de algumas agressões em comentários nesta página...e sobretudo da parte de mulheres o que mais me espanta; não sei se me leem desse modo e se ressentem ou reveem para me responderem com agressividade ou se eu sou agressiva para elas, quando falo sobre os "defeitos e qualidades" da mulher em si e da sua divisão intrinseca, e que perante a crueza dos factos enumerados ou relatados que não querem ver, acabam por reagir de forma agressiva e às vezes violenta contra mim, mas o certo é que da minha parte em momento algum eu pessoalizo as minhas questões...
Não estou contra ninguém...nem quero visar ninguém em particular. Tão pouco me  considero boazinha nem mazinha, apesar da minha "sósia" aparecer muitas vezes por aqui de vassoura em riste, mas eu mantenho-me apenas como uma mera observadora e intérprete de uma certa realidade sobre a qual me debruço. Nada mais - nada tenho, sublinho, contra as mulheres nem contra os homens, não me move qualquer animosidade, bem pelo contrário...sinto-me uma pessoa pacificadora e acolhedora por mais paradoxal que possa parecer. Só não sou hipócrita nem finjo o que não sinto...

Acontece que no facebook e em grupos, mais do que aqui no Blog, tenho verificado o quão difícil é para as mulheres compreenderem e aceitarem essa sua divisão intrínseca, psiquica, e por isso a negam mas que está bem patente na rivalidade que manifestam com as outras mulheres e como se afirmam opositoras umas das outras. Elas não sabem o porquê dessa divisão na vida real...e por isso seguem os homens como seus "salvadores" - é fácil verificar como é mais fácil seguirem processos ditos espirituais, vias masculinas de submissão ao homem, aceitando mentores ou mentoras que apresentam as  suas teses acerca do feminino ora de forma "construtiva", muito certinhas e bonitinhas e incutem no espírito das mulheres a ideia das energias positivas, ou a serem sempre positivas e passivas ...ou então o que me parece ter sido o caso em questão, são apologistas das "energias negativas",  satânicas ou demoníacas, nos casos de certos grupos esotéricos de magos negros etc. ou ainda  são todas muito felizes e estão sempre do lado do "bem e da luz", cheias de amor e luz etc.

Ironicamente nem as mulheres se apercebem que elas são o polo dito negativo, o feminino como princípio e que a Sombra e o lado escuro, a Lua, se opõem ao dito positivo e ao Sol, ao princípio masculino...e que em qualquer processo de evolução elas não tem senão que assumir esse lado escuro e irem ao fundo de si mesmas buscar primeiro essas suas reservas, ir ao inconsciente e aceitar esse lado aparentemente negativo como qualidades complementares e que são as suas inerentemente à sua natureza de fêmeas, mas que foram sempre nelas reprimidas porque associadas ao diabólico...ao selvagem...
Assim, verifico que mesmo nos ditos "processos espirituais" as mulheres são desviadas de si mesmas enquanto seres da Sombra...e das profundezas,  usando os seus poderes sombra como seres representantes do polo feminino explorando apenas o lado  negativo, tanto como o seu contrário, quando na verdade seria necessário unir os dois lados, o negativo lado  obscuro e noturno e o lado diurno e solar, em função da sua evolução e Consciência individual como Mulher  e não em função do homem ou exclusivamente nas suas relações com o homem...
Na verdade poucas mulheres integram os dois lados de si, sombra e luz, negativo e positivo, dentro de si, nem sequer  trabalham a sua psique, mas sim e mais uma vez colocam-se do lado masculino, ao serviço  da sociedade patriarcalista, ao serviço da sociedade que a domina e perverte essa sua natureza instintiva e intuitiva, usando-o para o "mal" ou mantendo-a ao serviço da espécie e do Homem, sempre submissa e submetida....mesmo que grite aos quatros ventos que é livre, não passa de uma escrava.

Há ainda outras mulheres, mais intelectuais,  que procuram na erudição e o saber no conhecimento mental e dentro da cultura vigente ou na psicologia patrista, dita cientifica, estimuladas a  encontrar soluções culturais e socias para melhor servir a sociedade, mas ainda aí ou sobretude aí...elas não percebem que seguem os caminhos da sua negação individual enquanto Mulheres e Mães cientes de si em negação da linha matrilinear e na negação da sua Matriz, para cederem de novo ao Pai e aos Mestres...seja através da Família da Filosofia seja da Psicologia ou mesmo da Metafísica e do Esoterismo...Elas seguem CEGAMENTE o pensamento e as palavras do homens que as exclui até da linguagem...todas elas dizem orgulhosamente e do cimo da sua sapiência: "O Homem..."

rlp

PARA A MAIOR PARTE DOS HOMENS...


O CONHECIMENTO DE SI?


"PARA A MAIOR PARTE DOS HOMENS, aquilo que eles classificam de consciência é o registo de noções, de impressões e de convicções compostas pela reflexão cerebral e pela educação. EssaS formações são tão fugitivas como o reflexo das nuvens num espelho. Elas não nos pertencem de si, porque podem ser modificadas pelas mais diversas influências. Nada, neste conjunto de ideias e conceitos, sobrevive à dissolução do ser físico, emocional e mental. É uma consciência que não se inscreve no nosso ser imortal.
Quantos homens na Terra acordaram em si a Consciência real, aquela que os tornará "conscientes e responsáveis"? É portanto necessário, para falar "conscientemente", entendermo-nos quanto às palavras, depois considerar os meios de acordar essa consciência".
(...)
In L' OUVERTURE DU CHEMIN  de ISHA SCWALLER DE LUBCZ

Não posso deixar de mencionar um aparte...

Falta ainda as MULHERES ACORDAREM PARA SI...e que diferença faria se elas acordassem para a sua Consciência de serem Mulheres...

rlp

domingo, dezembro 10, 2017

A MULHER INTERIOR



Hoje desde de manhã cedo que queria escrever sobre a mulher interior, a grande importância da mulher interior  - essa mulher que quase não existe e que praticamente desapareceu do mapa, dando origem a toda esta salganhada que é a ideologia de género que defende esta coisa bizarra e ridícula de que "não existe apenas o gênero "masculino" e "feminino", mas um espectro que pode ser livremente escolhido pelo indivíduo de acordo com o que ele ou ela se sente...ora esse sentir é tantas vezes difuso e complexo e confuso,  face a uma sociedade falocrática e machista que vive de estereótipos e que desvirtuou por completo a ideia do que é ser mulher e a fez perder a sua identidade.

A ignorância do ser mulher, do que é e SENTE, deriva da falta dessa interioridade na mulher, de uma profundidade ontológica e até de uma mística feminina completamente varrida da cultura superficial e pelo culto da vulgaridade-superficialidade  que predomina nas sociedades materialistas, consumistas e alienadas do ponto de vista de uma verdadeira espiritualidade. 
A ausência de dimensão espiritual e humana  gera uma grande  falta de consciência do que é ser uma mulher em essência, uma mulher inteira. Não se pensa no facto  de a mulher ter sido separada da sua natureza intrínseca, da sua natureza instintiva,  e a forma como a religião e a sociedade a dividiu em dois tipos de mulher, de um lado  a mulher sexual e do outro lado a mulher maternal  (a puta e aa santa ) -  toda essa alienação da mulher de si e em si  fez com que as mulheres do ponto de vista cultural e histórica, e ainda  psicologicamente  se tenham perdido da sua psique e da sua origem e do seu estado natural.
O que aconteceu de dramático e ao mesmo tempo consentâneo foi que a mulher, ao lutar por uma igualdade e num mundo racional,  se identificou quase exclusivamente, social e culturalmente,  com o ego masculino, e que ao recalcar o seu feminino profundo fez nascer esta desordem psicológica e sexual e que por sua vez levou às ideologias de género que afastam ainda mais a mulher e o homem da sua natureza biológica e natural.

rlp

UMA LONGA APATIA de 1933 a 2017

(...)
"O recente despertar da mulher da sua longa apatia trouxe à tona poderes latentes que, muito naturalmente, ela está ansiosa por desenvolver e aplicar na vida, tanta para sua própria satisfação e vantagem, como para aumentar a sua contribuição à vida do grupo. Esse passo adiante no desenvolvimento consciente não acontece sem dificuldades e obstáculos. Ela afastou-se da velha e bem estabelecida maneira de conduta e adaptação psicológica da mulher, e se acha hoje atacada por problemas que nem ela mesma e nem as mulheres pioneiras que iniciaram o movimento pela emancipação da mulher previram. Essas mudanças tem produzido para a mulher um inevitável conflito interno entre a necessidade de se expressar através do trabalho , como um homem faz, e a necessidade interior de viver de acordo com a sua própria natureza feminina. Esse conflito parece condicionar toda a experiência de vida para todas aquelas mulheres modernas que estão totalmente cientes de si mesmas como indivíduos conscientes. Para elas uma vida unilateral não é suficiente; o conflito entre as tendências opostas do masculino e do feminino dentro delas tem de ser encarado. Não podem resumir os valores do feminino àqueles velhos padrões instintivos e inconscientes. Conseguindo um novo grau de consciência, saíram do fácil caminho da natureza. Se pretendem ter contacto com o seu lado feminino perdido, isso preciso ser feito pelo duro caminho de uma adaptação consciente.

Os problemas de adaptação, surgindo da recente dualidade na mulher, tem que ser necessariamente tratados sob o seu aspecto moderno. A necessidade de reconciliação dessas duas partes da natureza feminina é um problema secular (a cisão da mulher em duas -nota pessoal); e é somente na sua aplicação na vida prática que o aspecto moderno surge. Basta olhar para debaixo do verniz da vida contemporânea para se encontrar o mesmo problema num nível mais profundo. Não é um problema de adaptação da mulher ao mundo do trabalho e do amor, esforçando-se para dar o mesmo peso a ambos os lados da sua natureza, mas sim uma questão de adaptação aos princípios femininos e masculinos que interiormente governam a sua subjectividade. Ela tem de voltar-se para quele material subjectivo que foi rejeitado, que para os cientistas do sec. XX eram somente superstição ou uma questão de humores. " *

*esther Harding - os mistérios da mulher 



EU TE APELO


HINO A DEUSA DOS ARCANOS

Deusa tremenda do Grande Mistério
Deusa reinante do Oitavo Céu
Deusa terrifica que dissimula a nascente unica
A vaidade dos seres humanos
Tu que cobriste o caminho que conduz
À tua Arca impenetrável de carvões ardentes
Para me obrigar a superar-me
Tu que concebeste doze e uma provações
Para tão Somente me tornares digno
De dirigir-te esta prece
Eu te apelo
Faz com que os meus pés não sintam o fogo
Sara as chagas envenenadas
Herdada dos combates que me impuseste
Não por piedade mas para me permitir
Prosseguir a via mágica dos heróis
Não por amor mas por respeito à tua ordem
Absoluta que é a de conquistar a Cidadela do Ser.
Remy Boyer

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Alivia a minha alma



HOJE, A MINHA ORAÇÃO Á MÃE....

“Não, não devia pedir mais vida. Por enquanto era perigoso. Ajoelhou-se trémula junto da cama pois era assim que se rezava e disse baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor:
Alivia a minha alma, faz com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faz com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faz com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a mor...te, faz com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faz com que eu não te indague mais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faz com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faz com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faz com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faz com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.”



CLARICE LISPECTOR

quinta-feira, dezembro 07, 2017

QUANDO VOLTAR...



Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei.
Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão pela minha cabeça é tudo tão verdade!


ALMADA NEGREIROS

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Os Mistérios sagrados



A NUDEZ E OS MISTÉRIOS SAGRADOS

"Chegou, talvez, o momento de considerar o sentido que apresenta a nudez da mulher divina no seu aspecto de "Durga" e que está em oposição àquele por nós examinado da nudez do arquétipo demétrio-maternal, princípio de fecundidade. É o nu abissal afrodisíaco. A dança dos sete véus, uma das suas expressões simbólico-rituais mais fortes e sugestivas está ligada na sua origem a uma dança sagrada. Pertencia ao ensinamento dos Mistérios, o simbolismo da travessia das sete esferas planetárias, no decorrer da qual a alma se desprende pouco a pouco das diferentes determinações ou condicionalidades a elas ligadas, e concebidas como outras tantas vestes ou roupagens a retirar, até atingir o estado da "nudez" completa do ser absoluto e simples, que só se encontra a si próprio quando se situa para além dos "sete". Plotino recorda, justamente, neste contexto, aqueles que ascendem degrau por degrau aos Mistérios sagrados, ao mesmo tempo que vão despindo as suas vestes e avançam nus; e, no sofismo, fala-se de tamzig, a laceração da roupa durante o êxtase. (...)

in "A METAFÍSICA DO SEXO " de Julius Evola