terça-feira, abril 17, 2018

Sendo assim para quê publicar?



CENSURA...
E DEPOIS (DELE)...NADA...

"Não é que não publique porque não quero: não publico porque não posso. Não se entendam estas palavras como dirigidas contra a Comissão de Censura; ninguém tem menos razão de queixa do que eu dessa Comissão. A Censura obedece, porém, a directrizes que lhe são superiormente impostas; e todos nós sabemos quais são, mais ou menos, essas directrizes.

Ora sucede que a maioria das coisas que eu pudesse escrever não poderia ser passada pela Censura. Posso não poder coibir o impulso de escrevê-las; domino facilmente, porque não o tenho, o impulso de as publicar nem vou importunar os Censores com matéria cuja publicação eles teriam forçosamente que proibir.


Sendo assim para quê publicar? Privado de poder publicar o que deveras interessará o público, que empenho tenho eu em levar a um jornal qualquer o que, por ilegível, lhe não serve, ou que (...)

Posso, é certo, dissertar livremente (e, ainda assim, só até certo ponto e em certos meios) sobre a filosofia de Kant (....)"


Fernando Pessoa

Nota a margem

Pior do que a censura diria é a mentalidade de uma época em que já ninguém pensa ou lê ou escreve cosias sérias...
rlp

quarta-feira, abril 11, 2018

VERDADE E SINCERIDADE..


 "...a sinceridade exige conhecimento de si e o conhecimento de si é fruto da idade... Como é que uma mulher tão jovem poderia ser sincera ? Ela não poderia ser sincera porque ela não se conhece a si mesma."- M. Kundera


COGITANDO...

Estava a pensar como é difícil lidar com tantas formas de sentir e pensar...e as diferenças, sejam de idade sejam de carácter  ou cultura e como as relações humanas são complexas e implicam tanto cuidado na abordagem dessas diferenças, quando com elas somos confrontadas...

Pessoalmente nem sempre consigo ser correcta...ou distanciar-me de uma reacção instintiva que aparece quase sempre como defesa do que eu penso ser a verdade...e que gera o ataque de uma diferente opinião. Mas como ser sincera? E ai como diz Kundera  "...a sinceridade exige conhecimento de si e o conhecimento de si é fruto da idade..." e isso portanto limita qualquer pessoa a se entender e portanto a compreender as outras...

Levamos anos a aprender a respeitar todas essas diferenças, levamos anos a aprender a recuar e a observar e a aceitar o/a outro/a na sua visão das coisas, independentemente da nossa ...e raramente conseguimos ser imparciais na nossa análise a não ser quando já percebemos - o que acontece muito tarde na vida - que o essencial de tudo o que vivemos e sentimos nada tem a ver com ideias nem opiniões nossas ou de terceiros (sejam eles filósofos teólogos ou psiquiatras etc) e que a vida é aquilo que cada ser vive e sente e não a afirmação da verdade e da justiça como padrões que correspondem apenas a conceitos e ideias temporais feitas a partir de filosofias e religiões e dogmas, e saber que raramente tudo isso nada tem a ver com a experiência de vida de cada ser...
Outra cosia grave que acontece nas realções é as pessoas baseadas na sua experiência presumir que alguém quer dizer isto ou aquilo quando não sabe ao certo o que a outra pessoa sabe e sente...e ai cometem-se os erros mais graves...até de destruição de alguém que não conhecemos...
Mas mais grave ainda é que desrespeitamos a experiência vivida pelo ser humano para dar lugar ao conhecimento fictício que tomamos por garantido e certo...por isso anulamos os velhos e as mulheres na sua experiência de vida autêntica e seguimos Mestres e "avatares"...
Isto parece que invalida a necessidade de saber e conhecer as leis do mundo e do universo, da ciência e da história, ou as leis diria da vida em si e do ser humano per se - mas do ser humano realmente quem é que sabe as leis da sua natureza interna que não são só cérebro e vísceras, esqueleto e órgãos, mas coração com emoções e sentimentos, sonhos e alma que não se pensa?

Quem sabe quem é quem?
Quem sabe ao certo quem é?
O famoso EU SOU...ou QUEM SOU EU?
De onde vim e o que estou cá a fazer?
Sim, quem sabe ao certo responder a tantas destas questões - "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo" de Platão...
Quem sou eu mesma? Sim, onde está o EU, mim, o "eu sou", o Eu dito superior...sem ser apenas este eu que nasce e morre?


Se ninguém sabe que alma tem...como diz o poeta que cuidado devemos ter uns perante os outros tendo em conta toda estas dificuldades?


Não, "Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

nem o que é mal nem o que é bem."


F. Pessoa


rlp

O EGO...



"A experiência do Si-mesmo é sempre uma derrota para o ego"
 
C. Jung


"O ego não pode ser um vaso para receber o influxo da graça enquanto não tiver esvaziado o seu próprio conteúdo inflado. E este esvaziamento só ocorre através da experiência de alienação" *


A "alienação" do ego não significa a alienação do SER CONSCIENTE de si, como em geral se confunde. O ego corresponde à partida à nossa Persona (mascara) e o Ser em si, à essência ou Alma, embora as designações de ambas as partes do nosso ser, o ser físico e o ser espiritual, se confundam por vezes em linguagem corrente. Ego ou persona é ainda o suporte físico e mental do ser em evolução. Assim, "Se a vida da pessoa é governada pelo sentido de uma tarefa divina, isso significa, psicologicamente, que o ego tem de estar subordinado ao SI-mesmo e foi libertado das preocupações que têm o ego como centro."*


* in "EGO E ARQUÉTIPO" de Edward F.Edinger

O CORAÇÃO EM CHAMAS



"O Coração em chamas, ou o fogo do coração é a metáfora, a forma de que se revestiu nas suas aparências históricas. Mas na terminologia popular, nessa vida que o "coração" levou em seus territórios, o coração não é fogo, mas parece apresentar-se em símbolos espaciais: é como um espaço que dentro da pessoa se abre para acolher certas realidades. Lugar onde se albergam os sentimentos indecifráveis, que saltam por cima dos juízes e daquilo que pode ser explicado."
(...)

in A METÁFORA DO CORAÇÃO - MARIA ZAMBRANO


" A escolha abre ou fecha a porta do Templo, lá onde a Luz sem sombra revela a origem do mundo binário, obra das antinomias.

Aquele que poder franquear a porta reconhecerá o que em si é material, feminino, passivo e aquático é Lua, e o que em si é activo, quente, ardente e sem forma é o Sol. Ele saberá que no mundo da Dualidade, ele projecta no Céu esta Lua e este Sol; ele esqueceu que (estes princípios) estavam nele, para não os ver mais senão fora de si mesmo. É este lugar – ou “momentos” – a que chamamos de “descida das luzes”, quando a inteligência vem ao coração."


in Le Miracle Egypcien - Schwaller de Lubicz


O coração que escuta

Emprestando o seu coração que em si escuta os lamentos dos que mais sofrem e de todos os seres de verdade, os destituídos de mentiras, de coração equitativo, o ser verdadeiro, aquele cujo coração sabe e conhece os pensamentos pelo coração sem que nada saia dos lábios dos que sofrem pois pelo escutar do seu coração é que lhe é dado o entendimento mais puro.


in Le Miracle Egypcien - Schwaller de Lubicz





domingo, abril 08, 2018

DIA DE ABENÇOAR A NATUREZA MÃE...



Gaia, Deusa Terra Mãe


"Gaia é uma teoria científica, elaborada por James Lovelock, que apresenta o planeta Terra como um único organismo vivo. A teoria foi apresentada em 1969 afirmando que é a biosfera que gera, mantém e regula as condições para a sua própria sobrevivência. O nome escolhido para esta teoria foi o de GAIA devido ao facto de na mitologia grega, GAIA ser a deusa da Terra. A abordagem holística da teoria de Gaia, é profundamente inovadora pelo trabalho extremo de juntar o que estava separado e assumir o desafio de pensar global, e arriscar pelos caminhos complexos da interdisciplinaridade.
Na mitologia grega, GAIA é a personificação da Terra como Deusa . Foi uma das primeiras divindades a surgir no universo, e mãe de todas as coisas. Nasceu imediatamente depois de Caos. E é a deusa Gaia que, ao separar a terra dos céus, vem ordenar o cosmos e terminar com o caos. Neste processo dá origem a inúmeras outras divindades e também aos oceanos, às montanhas, às plantas, aos animais…Por isso ela personifica a origem do mundo, o triunfo, a propiciadora dos sonhos, a protectora da fecundidade e dos jovens. O nome Gaia, Géia ou Gê, é utilizado como prefixo para designar as diversas ciências relacionadas com o estudo do planeta, como por exemplo: Geografia, Geologia. " 


DENTRO DESTA PERSPECTIVA QUAL O VALOR DE UMA MULHER?


Eu considero este saber de uma importância fundamental, URGENTE MESMO, mas seja ele qual for a ser coordenado só numa perspectiva cientifica e social, por muito naturalistas que sejam os homens, sem que a dimensão do sagrado seja integrado na mulher e sem que a Mulher se ligue primeiro ela própria às forças da natureza e assim possa afectiva e sexualmente – os dois factores de maior força motriz na natureza humana – ser a representante legítima da Deusa, que é muito mais do que um Mito grego ou um símbolo, nenhum conhecimento ou movimento ecológico por melhor coordenado que seja, por melhor e mais bem intencionado que seja, partindo de uma perspectiva inteligente e intelectual, mas sem o factor emocional e instintivo, o lado feminino presente e manifesto tanto no homem como na mulher, mas primeiramente na mulher, não funcionará nem atingirá um grau real e efectivo de consumação.
A Obra da Natureza, tal como a Obra Humana, a criatividade do SER HUMANO, tem de partir de dentro para fora e nenhuma evolução é possível sem esse casamento alquímico, interior, pela integração dos lados opostos complementares, o cérebro direito e o esquerdo, o feminino e o masculino, yn e yang.
Enquanto o homem não perceber que o desvio da Natureza que atingiu a mulher em si mesma e a cindiu na sua integridade também o fragmentou a ele e ao afastar a mulher da sua natureza intrínseca afastou-o  da sua própria essência feminina, o que equivale a dizer que o afastou também a ele da Natureza Mãe Gaia, que é Matriz que é a Deusa Terra. E que continuar a não querer ver que a Igreja, o patriarcalismo em geral e o racionalismo, no fundo, ao afastarem a Mulher da sua natureza inata, do seu lado instintivo e emocional, afastaram igualmente o homem da Mulher verdadeira e da Natureza primordial. Não querer ver que essa separatividade foi o factor de maior destruição do Planeta, que criou e instigou o ódio e o medo entre os sexos e ser ainda esse o maior impeditivo à consumação de qualquer OBRA digna desse nome, equivale a permanecer no mesmo paradigma e a continuar no mesmo rumo de uma Justiça que é cega e que continua a falar no masculino exclusivamente ...

A Mulher é a representante das Forças Telúricas e da Natureza, a sua guardiã; por isso ela precisa resgatar essa sua relação com as forças telúricas para se poder ligar ao Cosmos: sem essa relação ela não conhece a Deusa nem Deus. O Homem por mais que se projecte em Deus sem a Mulher e a Deusa não atinge a plenitude do seu SER nem a Devoção que o faz ser um adorador da VIDA, da TERRA e da Mulher e não da Morte, para se tornar um ser criativo em vez de destrutivo. Sem esse consciência e sem o amor e respeito por si mesmo, pela mulher e pela natureza, o homem não constrói nada, mas apenas destrói; por isso acho utópico todo e qualquer movimento que não inclua um processo de sacralização da Mulher, da Terra e do Homem e não de um Deus morto aos bocados ou de um Deus crucificado…ou mesmo de um novo Avatar, um Líder ou um Sábio qualquer.
A vida nasce da Mãe e brota do Seio da Natureza. Sem a Dimensão do Sagrado Feminino, sem o resgate cabal da Mulher Ancestral, o homem não pode nascer nem ascender aos céus...nem viver em Paz na Terra.
Rlp
Republicando

sexta-feira, abril 06, 2018

A MULHER A CHAVE DO MITO



“A Procura do Graal mistura-se com a Procura da Mulher. Aquele que encontra a Mulher, encontra o Graal. (...)
Mulher que segura a Taça, o Cálice ou a Pedra, essa mulher que é a Sacerdotisa de um culto do qual jamais conheceremos o verdadeiro significado." J.Markale

"Uma coisa é certa: mais uma vez, nos encontramos na presença de uma memória do culto da antiga deusa, destronada pelos deuses machos: é o sentido da violação cometida pelo rei Amangon contra uma das donzelas ou fadas do castelo do Graal. Amangon forçou o destino, curvou o poder feminino pela força cega e brutal do macho, derrubando a sua soberania sob a forma simbólica do seu golpe. Com efeito é o Pai que acaba de instaurar a sua autoridade exclusiva. Desde esse tempo, a sociedade anda à procura de um equilíbrio que não poderá instaurar senão quando o Jovem filho da Deusa Mãe, vier matar ou castrar, ou eliminar o Pai, a fim de devolver à Mãe a sua Soberania de antigamente.

Assim, idealmente e miticamente, e muito antes da cristianização do mito, a Procura do Graal é, ela, a Glorificação da Eleita, a mulher eterna, divina, de múltiplos aspectos, que reina nos subterrâneos do mundo, e que não espera senão pelo o seu filho mais jovem para reaparecer ao ar livre e retomar o seu título de Grande Rainha equilibrando de novo a sociedade dos seus filhos desunidos e que se reconciliar no amor da Mãe.” (...)  J. M. In “A Mulher Celta”

Que Mulher é essa que se confunde com o Graal?

Não é certamente a Mulher perdida da própria mulher, submetida às instituições e dominada pelos homens como um objecto de uso pessoal e social que nada tem a ver com a Mulher Divina ou a Musa, mulher essencial porque mágica e fada, detentora de sortilégios e poder de curar, aliada da natureza e dos animais! Nem a mulher violada secularmente pelo poder patriarcal que destitui a Deusa Mãe e fez da sacerdotisa uma prostituta e da mulher livre “a casada” e portanto, sujeita às suas leis, nem da "bruxa" queimada pela Inquisição por usar um dom inato e que fazia perigar o poder dos fanáticos cristãos?
Pervertendo a Génese, os patriarcas da Igreja, inverteram os sentidos da criação, traindo a harmonia dos princípios, dizendo que “Eva foi criada a partir de uma costela de Adão. A mulher converteu-se assim num apêndice do homem. A Génese é o princípio e o fim da Deusa.”

Dando assim força e suportando a história de uma metade da humanidade-homem que dominou a outra metade mulher, condenando o mundo a um permanente desequilíbrio, pela dominação do princípio masculino pela força da espada e da guerra com a repressão e subjugação da Mulher e da sua liberdade. A história dos conquistadores sacerdotes-guerreiros, bárbaros vindos das estepes, que destruíram paulatinamente um mundo equalitário, harmonioso e pacífico da Deusa-Mãe, segundo Riane Aisler, gerando “monstros - homens destinados à guerra e mulheres escravas e concubinas para os servir. Mais tarde ao ser institucionalizada a Igreja de Roma só lhes deu a sua benção, aliando-se a eles, bárbaros, até aos nossos dias...

Por isso “O Gral - simboliza a Deusa perdida. Quando apareceu o cristianismo, as antigas religiões pagãs não desapareceram da manhã para o dia. As lendas da busca dos Cavaleiros do Graal perdido eram histórias que explicavam as andanças para recuperar a divindade feminina. Os cavaleiros que diziam partir em busca do “Cálice”, falavam em “chave” para proteger-se de uma Igreja que tinha subjugado as mulheres, proibido a Deusa, queimando os crentes nas fogueiras e censurado o culto pagão da divindade feminina. “

É tempo de unir os dois princípios, pólos complementares desta humanidade, dentro e fora do Ser Humano, de unir o feminino e o masculino, de unir a deusa e o deus que os bárbaros e a Igreja desuniram para dominar e vencer pela guerra! Para isso a Mulher tem de se unir e integrar as duas mulheres que foram cindidas em duas - a santa Virgem e a Mª Madalena a "prostituta arrependida" - assim divididas pela Igreja sua maior inimiga desde o princípio dos séculos.
Esse Feminino eterno e parte do princípio que rege o universo é rechaçado e denegrido ao longo dos séculos destituindo a mulher de identidade por predominância exclusiva do princípio masculino da força e do autoritarismo, negando às sociedades esse equilíbrio dos dois princípios em harmonia que a Deusa Mãe impunha como justiça e lei e não a força da Espada!

A mulher moderna, perdida da sua origem e essência, é uma espécie de apátrida sem sentimentos ou consciência própria. Absorve, diz e escreve e sente-se como o homem a fez...é a polícia travesti, é a médica inumana, é o soldado que vai à guerra é a mãe sem coração nem amor pela maternidade! ? uma Atenas saída da cabeça de Zeus ao serviço do patriarcalismo sem consciência nenhuma de si própria em profundidade. Reflecte-se apenas no homem na sua posse ou possuída e não é senão uma sua extensão, um sexo. Falar de feminino, pela sua ausência de sentido profundo, é falar apenas de sexo e a confusão inerente estabelece-se. Ou se é feminista ou lésbica...

Mas a mulher não é apenas um sexo!
Todavia, como se desconhece em essência e se sente perdida de si mesma, educada e suportada em sociedades falocráticas, não têm nenhum sentido em si mesma ou centro e enche-se do valor que os homens lhe dão que é o de uma mente racional atulhada de conceitos lógicos onde prevalece tacitamente a superioridade do Homem em nome de quem ela fala. Acontece cpom as mulheres mais inteligentes, as universitárias etc. Elas falam exclusivamente do seu ciclo vicioso As Faces de Eva, desconhecendo a outra Mulher que vive na Sombra e que foi renegada da história e do seu interior...Por essa ignorância a mulher está presa num ciclo vicioso que é o conhecimento adquirido que a sociedade falocrárica lhes impôs e de que elas não conseguem sair sem ir às origem da própria pré-história...onde efectivamente começa a sua história ou o poder da Grande Deusa onde todos os mitos têm origem.
 
A GUERRA CONTRA AS MULHERES...

A história da Mulher não é apenas a de uma “lavagem ao cérebro” mas a de uma lavagem às suas entranhas da maneiras como lhe tiraram a Voz de Oráculo da Terra Mãe e agora o Útero sob qualquer pretexto. Anula-se a mulher dos seus valores intrínsecos, da sua intuição e percepção extra-sensorial, da sua sensibilidade tão própria aliada à emoção e reduz-se a sua razão de ser a uma reprodutora com prazo de validade ou a um objecto de luxo e plásticas, o estereotipo do travesti que o homem inventou e que levou a mulher a identificar-se com essa imagem e de que os jornais e revistas e televisão estão cheios até á saturação. A mulher é imbecilizada a cada passo e as próprias mulheres hoje em dia não têm a menos noção ou respeito pelo seu SER Ancestral, por essa Voz secular que lhe foi roubada pelos padres!

A sua cultura ou erudição baseia-se toda no princípio masculino que a reduz a um zero à esquerda (e à direita!).
E não tenham esperanças as mulheres que lhes reste ainda alguma verdade e dignidade própria de que serão aceites se se expuserem nesta sociedade machista e falocrática com uma voz genuína senão for para os servir e fazer de figura de estilo, quer como mulheres, quer como políticas, ministras ou executivas ou mesmo escritoras! As polícias são brutais como os machos e as ministras duríssimas e inflexíveis nos seus propósitos rígidos sem qualquer humanismo. Não é pois, desse “Feminismo” que falamos nem o que nos falta a nós mulheres. E muito menos é essa a mulher da Procura do Graal. Ou por outra, a Mulher que se perdeu nos primórdios dos tempos é que tem de se buscar a si mesma dentro do seu coração e como Voz do Útero sendo a Taça que dá a beber e não espera beber do outro para ser ela própria porque a mulher é ela o Cálice.

Só depois da Mulher ser Mulher inteira, o verdadeiro Cavaleiro voltará e o Filho da Deusa a respeitará.

A Mulher em si é a Chave do Mito.


Rosa Leonor Pedro

(republicando)


 

"Tínhamos tantas solidões.




"Tínhamos tantas solidões.
A dos domingos
antes de anoitecer,
a solidão do comboio
com as solidões cingidas,
a dos pátios
a meio do Outono
quando já não se varre
nem folhas nem flores.
Tínhamos a solidão
do quarto de hospital
depois da hora de visita,
a solidão do amor
depois dos presentes,
a dos gatos esquecidos
nas varandas,
a do dono do gato
que esqueceu o gato
que foi atrás da gata
esquecida na varanda
por uma senhora velha
que sofria de Alzheimer.
Tínhamos as solidões
mais inoportunas, mais contraditórias
as solidões mais revolucionárias
e contra-revolucionárias.
Tínhamos solidões
as mais silenciosas.


Quem pode estranhar por isso
que nos fôssemos?"

VALERIA PARISO
Ilustração: Dino Valls

quarta-feira, abril 04, 2018

ESSA MULHER



A mulher...essa Mulher que surge...


ESSA...mulher essência, essa Mulher Real e Eterna que mais parece um sonho e contudo começa a aparecer anónima mas já senhora de si e é óbvio  que não falo das profissionais e executivas nem das deputadas e advogadas, escritoras ou das feministas em geral, falo de outras mulheres ainda ocultas por estas e que ninguém sabe e nem ninguém lê...e que tanto assusta os homens... - mas não, que ninguém se iluda, nem todas as mulheres são mulheres nem todos os seres humanos são humanos...e eu tenho horror as mistificações e aos simulacros e não perdoo...não vou em conversinha mole de bondade e compreensão e de gente piedosa...perante as mulheres e homens - sejam psiquiatras, padres, professores, cientistas e filósofos - que são o expoente por excelência dessa sabotagem permanente do que é SER MULHER e que hoje tantos deles pretendem defender o feminino e a Mulher e a Deusa e que não representam de modo algum por experiência vivida ou saber próprio...essa Mulher...



Rosa Leonor Pedro

segunda-feira, abril 02, 2018

A MENTALIDADE MASCULINA


"as santas como a minha mãe e as outras..."

“Aquelas que não dão sinais de amor devem estar a escondê-lo, mantê-lo reservado. Ao invés, aquelas que querem dar amor não podem valer nada – senão iriam certamente escondê-lo como um tesouro” - Arno Gruen, A Traição do Eu

Uma visão do mundo feminino típica de uma certa mentalidade masculina – o medo de ser enganado - e a divisão do mundo: "as santas como a minha mãe e as outras..." Acautela-te com as mulheres, deve ser o aviso. Se Arno Gruen está certo, é muito triste saber que os homens que assim pensam, descobrem tarde que estas mulheres, "as com ar de santas" podem não ter nada para dar.

Faz lembrar a fábula de Fredo “ A velha, a rapariga e o homem”, em que este era disputado pelas duas, que pretendiam parecer iguais a ele, na idade. Na sedução, acarinhavam-lhe os cabelos. O resultado repentino foi a calvície, porque a rapariga arrancou-lhe os cabelos brancos, e a velha, os pretos. Moral desta história: o cuidado com as mulheres nunca é pouco.

É possível que exista uma versão feminina, do mesmo - cuidado com os homens!


IN INCALCULÁVEL IMPERFEIÇÃO - por Cristina simões

A RIVALIDADE ENTRE AS MULHERES


A PROPÓSITO DA RIVALIDADE ENTRE MULHERES

"... elas são todas tão feias que repelem e odeiam todas as mulheres (bonitas). Sabe que são as mulheres as mais virulentas misóginas aqui? As mulheres, meus caros senhores, (...) nunca experimentaram maior odio em relação a si mesmas do que o das outras mulheres face ao seu próprio sexo. Porque é que pensa que elas se esforçam de nos seduzir? Unicamente para desafiar e humilhar as suas iguais. Deus inculcou no seu coração o ódio das outras mulheres porque ele queria que o género humano se multiplicasse." *

Este ódio secular entre as mulheres e a sua  rivalidade e a competição entre si é o pior dos venenos que as separa e antagoniza e disso todas as mulheres sofrem um pouco...ou muito - e sem que se tome consciência disso primeiro, cada uma por si, as mulheres que se pretendem num caminho espiritual ou no caminho da deusa e do feminino sagrado, não poderão nunca ser verdadeiras enquanto não resolverem essa questão dentro de si mesmas através de uma subida da sua auto-estima e da aceitação dos seus complexos e medos, enfrentando-os e sem culpar nem se virarem contra as outras mulheres...

Porque o que mais vemos nestes ambientes de terapias e curas e mestres e xamãs
é manipulação e abuso ou busca de supremacia de umas sobre as outras pois a maioria das mulheres que anda a tentar juntar as mulheres em nome da deusa ou do que quer que seja não tem consciência nenhuma de si mesma enquanto Mulher nem da sua divisão interior, dessa cisão que a antagoniza com a outra mulher e portanto dos  seus complexos de filha e das suas feridas com a mãe ou com a irmã...mas no fim, logo que se confrontem com diferenças de opiniões e interesses elas vão-se ver como inimigas e invejosas umas das outras porque não se aceitam a si mesmas (ou a sua mãe) e vivem apenas da lisonja e da mentira, a querer provar a sua verdade segundo os seus interesse...servindo-se inclusive das outras mulheres para se afirmarem melhores ou mais sábias.
Por isso muitas mulheres não gostam do que escrevo...
Elas tem tolerância zero para com as outras mulheres mas seguem cegamente os homens como mentores, virando-se contra as mulheres (rivalizando pelo macho). Desse modo não iremos nunca fazer o nosso caminho mas sim seguir os trilhos do patriarcado...

Como diz o texto que traduzi em cima ..."Deus inculcou no seu coração o ódio das outras mulheres porque ele queria que o género humano se multiplicasse." - e a mulher continua fiel a isto...
Como dizia há tempos uma leitora - "Não é propriamente surpreendente que a área da "espiritualidade" e das "terapias" seja a área de eleição de narcisistas e sociopatas. Em que outra área humana se pode conseguir o grau de adulação, poder sobre o outro, afirmar as coisas mirabolantes que afirmam, etc., sem nunca serem questionada/os? Ou se alguma vez o são, obliteram/ridicularizam/manipulam/uma qualquer outra solução que lhes traga mais vantagem no momento, quem o faz. Muito poucas...
Neste momento sinto que só posso encontrar o que nos une no silêncio (e quando ninguém está a ver ou a fotografar!). Será uma fase... entretanto vou lendo, e observando, com muito interesse e curiosidade." (Sónia)


rlp

*Milan Kundera - La Valse aux adieux